sexta-feira, 26 de junho de 2020

Para acabar de vez com as “ideias feitas” sobre os professores!

Philippe Watrelot in: Cahiers Pédagogiques
Versão portuguesa com comentário final [Passar à versão em PDF >>>]

Ideia feita Nº1
Os professores são relutantes à mudança
Asneira! Eles foram capazes de em 48 horas encontrar novos instrumentos e novas práticas.
(...)
Ideia feita Nº 10
As crianças não gostam da escola
Depois de uma alegria inicial, rapidamente se deram conta, alunos e famílias, do papel primordial da escola e dos professores … perceberam-no muito bem e afirmaram-no várias vezes. E será esta talvez a nossa melhor recompensa!   
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quinta-feira, 11 de junho de 2020

O COVIDE-19 e a vingança da Idade Média

António Nunes
Aos amantes da(s) ciência(s), de todas elas...nas quais, convictamente, me incluo

(...) acordamos que este ataque vírico estava prestes a ser vencido, não pelos in­vesti­mentos feitos pelas múltiplas investigações universitárias e pelos diversos laboratórios farmacêuticos, mas sim por aquilo que, vulgarmente, o povo e a sua cultura apelidam de bom senso – no caso presente transformado em senso comum.

sábado, 6 de junho de 2020

Sobre a importância da pedagogia

António Nunes

Menciona-se, a título de exemplo, o novo currículo da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard. A formação de professores bem se podia inspirar em muitos dos seus princípios orientadores, assim apresentados:

Em Agosto de 2015 iniciou-se um novo currículo inovador – Pathways. Esta revisão ousada do currículo de formação médica incorpora abordagens pedagógicas que promovem aprendizagens activas e o pensamento crítico, uma experiência clínica precoce e experiências científicas de clínica avançada e de formação personalizada nas áreas básicas e na relação com as populações, de modo a proporcionar caminhos individualizados de formação para cada estudante. [HARVARD MEDICAL SCHOOL – HSM, 2015].


Ver, sobre o mesmo tema, "Que podemos aprender com a formação dos médicos": uma entrevista concedida por António Nóvoa a "NOVA ESCOLA", novaescola.org.br 

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Paremos de vez de endeusar o digital

Philippe Meirieu
Versão portuguesa de Luís Goucha [PASSAR AO TEXTO EM PDF >>>]

Nesta entrevista, Philippe Meirieu reflecte sobre a profunda crise que se abateu sobre a escola, sobre as dificuldades sentidas pelos alunos menos privilegiados, e antecipa os problemas da futura recuperação…

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Somos como os melros

Daniel Lousada [PASSAR AO TEXTO EM PDF >>>]

"Alguém me reduziu o tamanho do quintal, até o quintal ficar isto que se vê". (...) E eis senão quando, alicerçado nos meus medos, um ministro anuncia o próximo ano lectivo, dividido entre a escola e o ensino virtual a entrar-me casa adentro.

Entretanto, com receio do que se passa fora da gaiola, e com os sindicatos estranhamente mudos, não estrebucho: conformo-me, como também parecem conformar-se a maioria dos pais - Como o melro, já se vê!

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Afectividade e aprendizagem no romance "Cinco Reis de Gente" de Aquilino


Lembrar Aquilino Ribeiro 13.09.1885 - 27.05.1966

Para quem passou a vida na Escola, ultrapassando as aulas e as estruturas arcaicas, obsoletas e ineficazes, terá forçosamente de se sentir tocado com esta referência autobiográfica à entrada no mundo das letras, nada fácil, deste escritor português, proposto por um grupo de amigos, como candidato ao prémio Nobel.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Gramaticalizar: o calvário de transitar no intransitável e outras memórias de uma escola de outros tempos

Lembrar Ruben A. [26.05.1990 - 26.09.1975]
Excerto de "O mundo à Minha Procura I", Assírio & Alvim, Lisboa, 1992: pp. 75-76

Eu claudicava em matérias fundamentais: matemática  e latim. Em português conseguia às vez encontrar um mestre que me deixava ir comigo, que parava na aula e lia o meu exercício, como quem lê uma bíblia traduzida para chinês. Os outros colegas nada percebiam, uma vez que eu me afastava completamente do assunto dado para a dissertação. Não sei se foi Adolfo Casais Monteiro que um dia, na aula de português, me pediu para explicar um trecho dos Lusíadas  depois de ter lido o meu exercício sobre o assassínio de Inês de Castro. O Adolfo foi professor escasso tempo, mas para o caso pouco importa. Quando eu avancei com o livro na mão para junto da mesa, ele pediu-me que fizesse a minha crítica do célebre episódio. Ao que eu simplesmente respondi: - Senhor professor, o assassínio foi a única página que me apaixonou nos Lusíadas. Faltam mais tragédias íntimas nos Lusíadas. Gosto muito de descrições e de tudo o resto, mas sinto-me mais entusiasmado ao ler

Se de humano é matar uma donzela
Fraca e sem força, só por ter sujeito
O coração a que soube vencê-la.

O Casais Monteiro olhou para mim como querendo convidar-me para tomar café à saída do Liceu, e, na sua cara expressiva, disse que me podia sentar pois estava satisfeito. Posso dizer que devo à famosa passagem dos Lusíadas o ter-me encaminhado pela primeira vez - por uma descoberta a que não era alheio o meu estado de espírito - no sentido trágico da vida, no sentido dos gregos, de Shakespeare e de pouco mais. (...) E realmente pensando melhor, passados tantos anos, vejo que a falta de tragédia é que torna tão insípidas a nossa história e a nossa literatura. De humano, em grande parte, tivemos Inês de Castro, um pouco de Frei Luís de Sousa, e páginas da História Trágico-Marítima. De interesse universal, de valor transposto ao teatro, ao bailado, a novas interpretações, só na verdade a maravilhosa coroação daquela que depois de morta foi rainha.

Passados pouco meses, a liberdade mental de Adolfo Casais Monteiro meteu-o na cadeia. Apareceu, então, como professor de português o animal que regia latim e que a meu respeito tinha a mais fraca das opiniões. Começou para mim o Calvário de dividir orações, encontrar os complementos directos, transitar no intransitável, gramaticalizar de novo os Lusíadas de Camões. Murchei.